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CPI do Crime Organizado encerra trabalhos sem aprovar relatório final

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado chegou ao fim nesta terça-feira (14) sem a aprovação de um documento conclusivo. Por 6 votos a 4, os integrantes do colegiado rejeitaram o parecer do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que propunha, entre outros pontos, o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O encerramento foi marcado por críticas do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES). Ele lamentou que a presidência do Senado não tenha prorrogado os trabalhos e afirmou que o STF dificultou a coleta de provas ao barrar depoimentos e o acesso a dados da Polícia Federal. Contudo, Contarato votou contra o relatório de Vieira, argumentando que o indiciamento de ministros e do Procurador-Geral da República seria uma medida sem provas dolosas.

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Manobras e votação

A votação foi precedida por uma troca estratégica de integrantes. Os senadores Sergio Moro e Marcos do Val foram substituídos por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA), mudança articulada pela liderança do bloco MDB/União Brasil. O relator Alessandro Vieira atribuiu a derrota a uma intervenção direta do Palácio do Planalto para proteger aliados e instituições.

Votaram contra o relatório os senadores:

  • Beto Faro (PT-PA)
  • Teresa Leitão (PT-PE)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Soraya Thronicke (PSB-MS)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
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Raio-x do crime organizado

Apesar da rejeição, o relatório de 220 páginas apresentou um diagnóstico alarmante da segurança pública no Brasil. Segundo o levantamento, 90 organizações criminosas atuam no país, com o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) presentes em quase todos os estados.

O documento aponta que 26% do território nacional está sob domínio de facções, afetando a vida de 28,5 milhões de brasileiros. A investigação detalhou que o crime se infiltra no Poder Público e utiliza setores como o mercado imobiliário, criptomoedas e fundos de investimento para lavagem de dinheiro.