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Safra de café avança e área técnica da Cocari orienta sobre o manejo pós-colheita para preservar qualidade

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A colheita do café segue em andamento no Norte do Paraná, uma das principais regiões produtoras do estado, importante área da Cocari. O momento decisivo mobiliza a atenção dos produtores para a qualidade e rentabilidade da safra. 

Além dos desafios impostos pelas condições climáticas, os cafeicultores precisam redobrar a atenção aos cuidados pós-colheita, etapa fundamental para a preservação da sanidade das lavouras e da qualidade dos grãos entregues à cooperativa.

A previsão para a safra 2026 de café no Paraná é de aproximadamente 713,9 mil sacas de 60 quilos, volume que representa uma redução de 4,6% em comparação ao ciclo anterior. De acordo com o especialista em café da Cocari, Ivam Kades Soler, a produção foi impactada por períodos de baixa precipitação e temperaturas elevadas registrados ao longo do desenvolvimento das lavouras. “A colheita está avançando na região Norte do Paraná, mas as condições climáticas exigem bastante atenção. Tivemos períodos de estiagem e calor intenso que afetaram o desenvolvimento dos cafezais e agora enfrentamos outro desafio: as chuvas durante a colheita, que podem comprometer significativamente a qualidade dos grãos”, explica.

Segundo ele, o excesso de umidade nesta fase da safra favorece fermentações indesejadas nos frutos, reduzindo a qualidade da bebida e, consequentemente, o valor comercial do café. “Neste momento, a chuva pode influenciar na qualidade porque o café colhido em condições de elevada umidade pode apresentar fermentações indesejadas, alterar características sensoriais da bebida e reduzir a classificação do lote”, destaca Ivam.

Além da perda de qualidade, as precipitações dificultam as operações de campo. Solos encharcados limitam a circulação de máquinas e atrasam a colheita, aumentando o risco de queda dos frutos para o chão. “Quando ocorre atraso na colheita, cresce a possibilidade de perda de grãos, principalmente daqueles que caem ao solo e acabam sofrendo deterioração. Esses cafés normalmente apresentam menor valor comercial e comprometem a composição dos lotes”, observa.

Outro ponto crítico está relacionado à secagem. O tempo nublado e úmido reduz a eficiência dos terreiros e eleva os custos quando há necessidade de utilização de secadores. “O monitoramento meteorológico é uma ferramenta indispensável. O produtor precisa buscar sincronizar as operações de colheita e secagem com períodos de clima mais firme para minimizar os impactos sobre a qualidade final do café”, recomenda.

Cuidados após a colheita fortalecem a próxima safra

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Além dos desafios climáticos, o período pós-colheita demanda uma série de práticas de manejo para garantir a recuperação das plantas e reduzir a incidência de doenças e pragas na safra seguinte.

O consultor do Departamento Técnico da Cocari, Patrick de Souza, explica que a crescente adoção da colheita mecanizada torna ainda mais importante a implementação de medidas preventivas logo após a retirada dos frutos. “Durante a colheita mecanizada ocorrem impactos que podem provocar danos em ramos, hastes e outras estruturas vegetativas. Esses ferimentos funcionam como portas de entrada para diversos patógenos que afetam a cultura”, afirma.

Segundo o consultor, as áreas localizadas acima de 600 metros de altitude merecem maior atenção, especialmente devido à ocorrência de ventos frios típicos desta época do ano. “Nessas condições, recomendamos a aplicação de fungicidas à base de cobre imediatamente após a colheita. Além de contribuir para a cicatrização dos tecidos lesionados, o cobre auxilia na proteção contra doenças importantes como antracnose, phoma e mancha aureolada”, orienta.

Dependendo das condições ambientais e da pressão de doenças na propriedade, novas aplicações podem ser necessárias em intervalos de 30 dias. Patrick ressalta ainda que temperaturas entre 17°C e 22°C associadas à elevada umidade relativa do ar criam um ambiente favorável ao desenvolvimento desses patógenos. “Chuvas frequentes, orvalho intenso e ventos contribuem para a disseminação das doenças. Por isso, acompanhar as condições climáticas e realizar monitoramentos constantes é fundamental para o sucesso do manejo”, acrescenta.

Controle de pragas começa na limpeza da lavoura

Outro aspecto estratégico no período pós-colheita é a retirada dos frutos remanescentes das plantas e do solo. De acordo com Patrick, a permanência desses frutos favorece a sobrevivência da broca-do-cafeeiro, considerada uma das principais pragas da cultura. 

“Os frutos que permanecem na lavoura funcionam como abrigo e fonte de alimento para a broca durante a entressafra. Isso aumenta significativamente o potencial de infestação para o próximo ciclo produtivo”, alerta.

Como medida preventiva, Patrick recomenda a realização do chamado repasse ou recate, operação destinada à coleta dos frutos remanescentes após a colheita principal. “Esse trabalho deve ser criterioso e, sempre que possível, complementado pela trituração dos resíduos vegetais com roçadeiras do tipo trincha. Dessa forma, eliminamos frutos remanescentes e reduzimos a presença de estruturas que podem servir de abrigo para outras pragas”, explica.

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A prática também contribui para o controle do bicho-mineiro-do-cafeeiro, outra praga de relevância econômica para a cultura. “A destruição e a incorporação dos restos vegetais reduzem locais favoráveis para a formação de pupas e a sobrevivência dos estágios imaturos dessas pragas. É uma medida simples, mas extremamente eficiente dentro do manejo integrado”, destaca.

Patrick aponta que a combinação entre uma colheita bem executada, o repasse pós-colheita e o manejo adequado dos resíduos culturais promovem melhores condições fitossanitárias para os cafezais. “Quando realizamos todas essas práticas de forma integrada, reduzimos a pressão de pragas e doenças, preservamos o potencial produtivo das plantas e criamos condições mais favoráveis para a próxima safra”, reforça.

Recebimento na Cocari exige atenção à umidade dos grãos

Enquanto a colheita avança nas propriedades, a Cocari também se prepara para receber a produção dos cooperados. Até o momento, cerca de 5% da safra prevista já chegou aos entrepostos da cooperativa.

Segundo informações da Unidade de Beneficiamento de Café (UBC) localizada na sede, em Mandaguari (PR), as primeiras semanas da safra foram marcadas por chuvas frequentes, dificultando a secagem dos grãos na região Norte do Paraná.

A realidade da maioria dos produtores contribui para esse cenário. Cerca de 90% dos cafeicultores utilizam sistemas convencionais de secagem em terreiros de piso ou suspensos e não possuem secadores industriais, tornando o processo mais dependente das condições climáticas.

Além disso, muitos produtores optam por formar lotes maiores antes de encaminhar o produto para armazenagem ou para os serviços de beneficiamento oferecidos pela cooperativa.

Para garantir a manutenção da qualidade, a Cocari estabelece critérios técnicos rigorosos para o recebimento. “O café, em coco ou beneficiado, precisa apresentar umidade máxima de 12%. Acima desse índice, durante o beneficiamento, o grão pode sofrer branqueamento, perder sua coloração esverdeada característica e sofrer desvalorização comercial”, explica o especialista em Café da Cocari.

A expectativa da cooperativa para a safra 2026 é de receber aproximadamente 420 mil quilos de café beneficiado, o equivalente a cerca de 7 mil sacas. Com um mercado cada vez mais exigente e atento à qualidade, a combinação entre manejo técnico adequado, monitoramento climático e cuidados na secagem e armazenamento será determinante para que os produtores alcancem melhores resultados econômicos e valorizem ainda mais a produção cafeeira da região.