O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), oficializou nesta quarta-feira (9) a homologação da delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. A decisão dá um novo rumo às investigações sobre supostos repasses irregulares para a produção da cinebiografia *Dark Horse*, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O cerne da apuração gira em torno da origem dos recursos destinados ao projeto audiovisual. As suspeitas recaem sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teria realizado transferências financeiras voltadas à viabilização da obra cinematográfica.
Segundo os detalhes da delação, Freixo Júnior teria atuado diretamente nos repasses para o fundo *Havengate*, sediado nos Estados Unidos. O referido fundo é gerido por um advogado que mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que atualmente reside em território norte-americano.
O senador Flávio Bolsonaro também aparece no centro das movimentações. O parlamentar é apontado por ter solicitado aporte financeiro a Vorcaro com o objetivo de financiar o filme. Em sua defesa, Flávio sustenta que todos os valores repassados pelo ex-banqueiro foram aplicados estritamente na produção do longa-metragem.
O caso ganha contornos complexos devido aos desdobramentos paralelos envolvendo a família Bolsonaro. Recentemente, Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo crime de coação no curso do processo. A Justiça identificou uma articulação voltada ao chamado “tarifaço” contra exportações brasileiras, medida que teria sido desenhada para evitar a condenação do pai em inquéritos sobre a trama golpista.
Apesar das acusações que circulam no âmbito do STF, Eduardo Bolsonaro nega categoricamente ter recebido qualquer montante proveniente de Vorcaro. O ex-deputado rejeita as vinculações apontadas pela investigação e mantém sua posição de inocência.
A homologação de Mendonça abre caminho para que a Polícia Federal intensifique a análise sobre as transações financeiras e o papel dos envolvidos. A corporação já contava com autorizações prévias do STF, incluindo decisões do ministro Flávio Dino, para acessar dados da produtora e rastrear o caminho do dinheiro.
O cenário coloca o financiamento da cinebiografia sob um rigoroso escrutínio judicial, buscando identificar possíveis crimes de natureza financeira ou irregularidades políticas. A colaboração de “Mineiro” é vista por investigadores como uma peça-chave para elucidar os bastidores desses repasses internacionais.
Com informações e foto da Agência Brasil




