No dia 2 de abril, data que chama atenção para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma iniciativa desenvolvida em Ivaiporã, há 4 anos, mostra como a formação acadêmica pode ir além da sala de aula. A Fatec mantém a capacitação em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que prepara estudantes de Psicologia e garante acompanhamento gratuito a crianças e adolescentes.
A 1ª etapa é teórica. Na sequência, os acadêmicos passam a atuar diretamente nos atendimentos – sempre sob supervisão. O encaminhamento dos pacientes é realizado pela Prefeitura de Ivaiporã por intermédio das Secretarias Municipais de Saúde e Educação.
De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da Fatec Ivaiporã, Vanessa Gonçalves, a proposta une aprendizado e prática. “A aplicação do método ABA é uma das principais ferramentas no acompanhamento de pessoas com TEA, especialmente no desenvolvimento de habilidades de comunicação, socialização e aprendizagem de crianças e adolescentes”, exemplificou.
Atendimento adequado
A capacitação é conduzida pela psicóloga da Prefeitura de Ivaiporã, Isabela Pellegrini, que também integrou o corpo docente da Fatec Ivaiporã. “É uma área que exige preparo. Cada criança tem uma demanda diferente, e o profissional precisa entender para conduzir o atendimento da forma adequada”, afirmou.
Segundo Isabela Pellegrini, o número de diagnósticos aumentou e há desafios no acesso aos serviços especializados. O Ambulatório Médico de Especialidades (AME) atende com o programa Brilhantemente – enquanto a Fatec Ivaiporã oferece a capacitação ABA. Mas a procura continua alta. “O autismo não está à parte do convívio social. É preciso entender as necessidades e garantir condições para que os autistas sejam inseridos de forma digna na sociedade”, pontuou a psicóloga.
Aqueles que concluem a formação podem atuar em clínicas, acompanhamento terapêutico domiciliar ou em instituições de ensino. Também há possibilidade de estágio nas redes pública e privada. Para a acadêmica de Psicologia, Fernanda França, o contato com a área surgiu no início da graduação. “Há muita demanda – principalmente em Ivaiporã, o que despertou meu interesse em trabalhar com crianças autistas”, contou.
A acadêmica Giovana Merico, que trabalha como acompanhante terapêutica, explicou que cada criança é diferente. “Ter contato com outras realidades amplia muito a forma de atendimento. Em pouco tempo, mudou bastante a maneira como conduzo o meu trabalho”, disse.
Lúcia Lima – jornalista

