Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as tratativas comerciais. A nova rodada de diálogo acontece após a Casa Branca impor, de forma unilateral, sobretaxas de 25% e 12,5% sobre as importações brasileiras.
A volta à mesa de negociação é reflexo de um telefonema direto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O líder brasileiro cobrou o fim das sanções, consideradas infundadas, enquanto Trump sugeriu a retomada das conversas bilaterais entre as equipes.
Além do primeiro impacto de 25%, Washington aplicou a taxação de 12,5% alegando falhas no combate ao trabalho forçado — uma justificativa imposta a outros 59 países e à União Europeia. O governo federal avalia que a nova medida é uma manobra legal americana para driblar a própria Suprema Corte, que havia derrubado cobranças tarifárias similares no início do ano.
Para embasar a tarifa principal de 25%, exclusiva contra o Brasil, o governo americano aponta supostas práticas desleais envolvendo o Pix e o mercado de etanol. Contudo, o Itamaraty ressalta que as barreiras possuem motivação política, com os EUA exigindo a abertura de mercado sem oferecer contrapartidas.
Na avaliação de Brasília, a ofensiva de Trump busca conter o avanço econômico chinês para reforçar seu domínio na América Latina, além de configurar uma possível tentativa de influenciar as eleições gerais brasileiras marcadas para outubro.



