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Avanço da colheita do trigo aponta para safra com recorde de produtividade no Paraná

31.09.2021 - Plantação de trigo, região de Tibagi/Pr Foto Gilson Abreu/AEN
Tempo de leitura: 7 minutos

A colheita do trigo segue em ritmo acelerado no Paraná e deve confirmar um recorde histórico de produtividade, mesmo diante das dificuldades impostas pelas chuvas durante o ciclo. A soja, com 5,77 milhões de hectares plantados, se consolida como a principal cultura do Estado, e o milho teve um ganho significativo de área de cerca de 20%. Esses são os destaques do Boletim de Safra do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) divulgado nesta quinta-feira (30). Os dados são da atualização de outubro da previsão da safra.   

Até o momento, 83% dos 819 mil hectares semeados com trigo em 2025 já foram colhidos, e os rendimentos médios ultrapassam 3.300 kg por hectare. Hugo Godinho, coordenador da Divisão de Conjunturado Deral, ressaltou que nas áreas ainda em fase final de colheita — concentradas principalmente no Sul do Estado — a expectativa é de resultados ainda melhores, o que deve consolidar a maior produtividade já registrada no Paraná, superando os 3.173 kg/ha alcançados em 2016.

O desempenho é considerado excepcional, sobretudo porque parte das lavouras enfrentou déficit hídrico, geadas e menor investimento em insumos. Mesmo assim, as condições climáticas favoráveis nas últimas semanas, com mais dias de sol, favoreceram a secagem dos grãos e impulsionaram a colheita.

Apesar do rendimento recorde, o volume total produzido será menor do que em outras safras, reflexo da redução de 25% na área plantada em relação ao ano anterior, que foi de 1,11 milhão de hectares. “A produção estimada é de 2,75 milhões de toneladas, cerca de 18% superior em relação a 2024 (2,32 milhões), mas ainda abaixo das 3,66 milhões de toneladas de 2023, quando o Paraná atingiu volume próximo à sua capacidade de moagem”, explica Godinho.

Portanto, mesmo com esse bom resultado, o volume colhido não será suficiente para atender à demanda da indústria paranaense, sendo necessário trazer trigo de outros estados e até mesmo de outros países para atender o setor moageiro. Com isso, o Paraná deve, novamente, colher menos trigo que o Rio Grande do Sul, que reassumiu a liderança nacional nos últimos anos.

Com relação aos preços de venda, o produtor está recebendo R$ 64,00 por saca, preço que fica abaixo do custo variável de produção que é de R$ 73,00. Vale destacar que, há um ano, a expectativa era de que a saca fosse vendida a R$ 76,00.

SOJA – Com 5,77 milhões de hectares de área plantada, a soja se consolida como a principal cultura do Estado. De acordo com Edmar Gervásio, analista de mercado do Deral, os 71% de área plantada até agora estão dentro do calendário, com as chuvas dos últimos dias ajudando no desenvolvimento das plantas.

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“O que falta plantar está concentrado nas áreas mais frias do Estado, com uma perspectiva de que o plantio seja finalizado na primeira quinzena do próximo mês, com previsão de clima favorável tanto para o plantio quanto para a colheita. Espera-se uma boa safra, próxima do recorde”, diz Gervásio. Com relação ao preço, não aconteceram grandes oscilações nos últimos três meses, permanecendo entre R$ 115,00 e R$ 122,00.

Conforme o técnico do Deral, no cenário nacional, a Conab divulgou neste mês de outubro sua primeira estimativa de produção. “Em condições climáticas normais, o Brasil deverá colher cerca de 177,64 milhões de toneladas de soja, volume 3,6% superior ao ciclo anterior”, explica.

MILHO – Com expectativa de plantio em 337,8 mil hectares, o milho da 1ª safra teve um ganho significativo de área, de cerca de 20%, devido ao recuo de área plantada da cultura de feijão. A produção do milho pode chegar a 3,5 milhões de toneladas e até mesmo a quase 4 milhões de toneladas. Segundo Hugo Godinho, se o comportamento for parecido com o observado na safra passada, levando-se em conta que a Conab projetou uma boa safra nacional, deve acontecer um ganho significativo de área, que pode inclusive superar a área de soja.

O preço vem se mantendo estável pelos últimos três meses, apesar de estar num patamar 8% menor que o registrado no ciclo anterior, na casa dos R$ 52,00, cobrindo o custo variável que está abaixo dos R$ 40,00. “Em questão de preço, a cultura do milho vive um bom momento. Como o produtor está definindo agora o que vai plantar, a escolha óbvia, por causa do preço, é que ele faça a opção pelo plantio do milho”, finaliza Godinho.

HORTIFRUTIS – O Boletim de Safra do Deral destaca, ainda, o comportamento das culturas da batata, do tomate e da cebola. Depois de ter crescimento na safra 2024/2025, a batata apresenta sinais de retração para a safra 25/26. Na 1ª safra, a área cultivada registra queda de 5%, passando de 17,5 mil para 16,7 mil hectares. A produção acompanha a queda, com redução de 10%: de 584,2 mil toneladas para 527,7 mil toneladas. O rendimento médio também recua, de 33,3 mil kg/ha para 31,6 mil kg/ha, o que indica perda de produtividade — possivelmente associada a fatores climáticos.

Já a batata 2ª safra mostra estabilidade e leve avanço: a área aumentou de 10,1 mil para 10,5 mil hectares em relação a 2023/24, e a produção subiu de 268,1 mil para 309,2 mil toneladas, mantendo rendimento elevado, próximo de 29,4 mil kg/ha.

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O tomate da 1ª safra mantém estabilidade entre as safras 2024/25 e 2025/26, tanto na área (2,5 mil hectares) quanto na produção (174,5 mil t para 171,7 mil t, variação de -2%). O rendimento médio sobe levemente, de 68,4 mil kg/ha para 68,9 mil kg/ha, sinalizando eficiência produtiva e manejo mais ajustado, mesmo com estabilidade na área plantada.

Já o tomate de 2ª safra apresentou pequena retração na área plantada (-4%), passando de 1,8 mil hectare (2023/2024) para 1,7 mil hectares na safra 24/25. A produção caiu de 125,4 mil toneladas para 92,2 mil toneladas, correspondendo a uma retração de -26%. O rendimento reduziu de 70,1 kg/ha para 58,0 kg/ha.

Segundo Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Deral, apesar de representar uma pequena área, a importância de se destacar o cultivo da cebola está na relação que existe em seu consumo no dia a dia. “A cebola é a cultura que mostra a maior variação negativa entre as duas safras”, diz. A área plantada caiu 15%, de 3,2 mil para 2,8 mil hectares, enquanto a produção recua 17%, de 129,1 mil toneladas para 107,6 mil toneladas. O rendimento médio cai de 39,8 mil kg/ha para 39,0 mil kg/ha, pequena redução percentual, mas significativa em termos de eficiência.

CONJUNTURAL – Também nesta quinta-feira (30), o Deral divulgou o Boletim Conjuntural Semanalque destaca o bom desempenho de várias cadeias produtivas do agronegócio paranaense, que seguem firmes mesmo diante de oscilações no mercado e nas condições climáticas. 

O boletim traz informações sobre a suinocultura do Paraná, que encerra outubro de 2025 em alta, com o melhor resultado do ano. O preço médio pago ao produtor pelo suíno vivo chegou a R$ 7,16 por quilo em setembro, o maior valor registrado no período. O desempenho representa um alívio após anos de dificuldades, com margem positiva de R$ 1,39/kg sobre os custos de produção estimados pela Embrapa Suínos e Aves — a mais alta de 2025.

O documento aponta melhora em outros segmentos do agronegócio paranaense. O setor lácteo mostrou sinais de recuperação, com importações estabilizadas em relação a 2024 e exportações em crescimento, especialmente de soro de leite, cujo volume já superou o total do ano anterior. Os números indicam que 2025 terá volume de importações próximo do observado em 2024.

Na fruticultura, o Boletim Conjuntural Semanal informa que o setor mantém diversificação e força econômica, com destaque para as regiões de Paranavaí, Curitiba, Jacarezinho, Cornélio Procópio e Maringá. Juntas, elas respondem por quase dois terços do Valor Bruto da Produção de frutas no Paraná, impulsionadas por culturas como laranja, morango, uva e goiaba.

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