O Núcleo Regional de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou nesta quarta-feira, 28 de outubro, a segunda fase da Operação Umbra, denominada Umbra II. Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão no âmbito de investigação sobre a atuação regional de uma facção criminosa com presença em diferentes estados brasileiros.
Acesse imagens da operação e sonora do Promotor de Justiça José Paulo Montesino Gomes da Silva
Áudio do Promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado
A investigação apura a atuação de integrantes do grupo nos municípios abrangidos pelo código de área telefônico DDD 43, no Norte do Paraná, especialmente em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, ao comércio de armas de fogo e ao controle disciplinar dos membros da organização. A facção também é investigada por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.
Medidas judiciais – Além das ordens de prisão, a Justiça autorizou buscas pessoais e domiciliares, inclusive nas unidades prisionais onde estão recolhidos alguns dos investigados. As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo.
Os mandados foram autorizados pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina. As buscas têm como objetivo apreender aparelhos celulares, drogas, armas, dinheiro em espécie e documentos relacionados às atividades investigadas. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.
Hierarquia – De acordo com as investigações, a estrutura regional da facção era comandada por dois irmãos, que ocupavam posições de liderança com atribuições distintas. Um deles exercia a função de “Geral da Região 43”, responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da cúpula da organização, pela autorização ou pelo veto de punições e transferências internas e pela gestão da estrutura regional. O outro ocupava a posição de “Final 100% do Estado do Paraná”, com atribuições de supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no estado. Ele também seria responsável pela coordenação do comércio de drogas a partir da zona sul de Londrina.
Os demais investigados desempenhariam funções específicas na estrutura criminosa, incluindo a contabilidade da organização, a coordenação de pontos de venda de drogas, a gestão do chamado “tribunal do crime” e a negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis.
Drogas em troca de assinaturas – Um dos aspectos identificados durante a investigação foi a organização de uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais. Segundo as apurações, a iniciativa era promovida pela facção em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional. Mensagens apreendidas indicavam a meta de obter 290 mil assinaturas em todo o país.
Para incentivar a participação, o grupo distribuía porções de drogas a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas. Os entorpecentes eram fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de venda, conhecidos como “donos de quebradas”. A prática era chamada internamente de “trabalho de revertimento”.
Planilhas e registros apreendidos durante a investigação detalhavam a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua correspondência com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas.
Atuação a partir dos presídios – As investigações apontaram que parte dos suspeitos já estava presa em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuava exercendo funções na organização criminosa. Mesmo privados de liberdade, eles supostamente repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam o fluxo de drogas. Para dificultar a identificação, utilizavam linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.
Duplo homicídio – O material reunido pelo Gaeco indica ainda a possível participação de dois investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná. Conforme a linha investigativa, o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem que seria integrante de um grupo rival. Uma criança também foi morta na ocasião.
Um dos investigados apontados nesse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.
Coletiva de imprensa – Haverá entrevista coletiva sobre a operação nesta quarta-feira, 28 de outubro, às 9h30, na sede do Gaeco de Londrina (Rua Capitão Pedro Rufino, 605 – Jardim Europa).




