A decisão do governador Ratinho Júnior (PSD) de permanecer à frente do Executivo até o fim de seu mandato, anunciada de forma oficial nesta segunda-feira (23), movimenta intensamente o tabuleiro político. Se por um lado a permanência garante a continuidade administrativa, por outro, o movimento estratégico desencadeia uma série de incertezas tanto na sucessão estadual quanto na corrida presidencial de 2026.
Nos bastidores, a leitura do cenário é clara: Ratinho Jr. optou por usar o peso da máquina pública e sua alta aprovação para dar tração ao seu provável sucessor, o atual secretário das Cidades, Guto Silva (PSD). A necessidade de fortalecer Guto tornou-se inadiável diante do acirramento da disputa, especialmente após o senador Sérgio Moro confirmar na última semana sua filiação ao PL para concorrer ao governo estadual.
Além da forte concorrência representada por Moro, o grupo governista precisa lidar com as recentes movimentações internas. O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, já deixou o PSD rumo ao MDB para buscar a cadeira máxima do Executivo. Paralelamente, o atual presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, cotado como outro possível nome do grupo de Ratinho, flerta com uma mudança para o Republicanos caso Guto Silva seja de fato o nome chancelado. A permanência do governador no cargo é vista, portanto, como uma âncora para tentar unificar a base em torno de seu escolhido até o fim da janela partidária.
Se no cenário regional a estratégia busca consolidação, no âmbito nacional, a saída de Ratinho Jr. da disputa presidencial abre um vácuo considerável. O governador aparecia com bom desempenho em levantamentos preliminares como pré-candidato a presidente, e sua desistência coloca em xeque a articulação do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Agora, o partido precisará reavaliar se mantém o plano de lançar candidatura própria — buscando nomes como Ronaldo Caiado (Goiás) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) —, se entra no projeto do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), ou se opta pela neutralidade na eleição majoritária.
Em comunicado oficial repassado a Kassab, Ratinho Junior justificou a decisão tomada no domingo (22) afirmando seu compromisso com a população paranaense e a intenção de não interromper o atual ciclo econômico do estado. O texto destaca os índices de aprovação de sua gestão, melhorias na educação e segurança, além de investimentos históricos em infraestrutura. O chefe do Executivo reforçou que continuará à disposição do PSD para os debates nacionais, defendendo um estado mais eficiente, o fortalecimento do agronegócio e o diálogo como pilares democráticos.
A nota confirma ainda que, ao encerrar o mandato em dezembro, Ratinho Jr. planeja retornar ao setor privado para presidir o Grupo de Comunicação fundado por seu pai. Até lá, o governador terá o desafio de usar seu capital político não para uma ascensão a Brasília, mas para tentar garantir que seus aliados mantenham o controle do Palácio Iguaçu diante de um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.

