O pico do verão impõe desafios importantes à pecuária. Temperaturas elevadas, alta umidade do ar e estresse térmico impactam diretamente o comportamento dos animais, o consumo de alimentos e, consequentemente, o desempenho produtivo. Pensando nisso, a Dica do Especialista traz orientações sobre manejo de pastagens e nutrição no período mais quente do ano.
Segundo Mateus Elias Santinon Bertoti, zootecnista do Departamento Veterinário da Cocari (Devet), o estresse térmico é um dos principais fatores de queda de desempenho no verão. “Quando o animal sente calor excessivo, ele reduz o consumo de matéria seca, altera o tempo de pastejo e passa mais tempo em repouso, o que afeta diretamente os resultados do sistema”, explica.
Pastagens: crescimento rápido exige manejo preciso
Durante o verão, as pastagens apresentam crescimento acelerado. No entanto, sem manejo adequado, esse avanço pode resultar em perda de qualidade nutricional. O ajuste correto da taxa de lotação é fundamental para evitar tanto o superpastejo quanto o acúmulo excessivo de material fibroso.
Trabalhar com alturas corretas de entrada e saída dos animais permite manter a forrageira em estádio vegetativo, com maior digestibilidade e melhor valor nutritivo. Isso favorece o consumo voluntário e melhora a eficiência do pastejo.
Pastejo rotacionado ganha ainda mais importância
A adoção de sistemas de pastejo rotacionado, com períodos de descanso mais curtos, é uma estratégia altamente eficiente no verão. Como o crescimento das forrageiras é mais rápido, atrasos na ocupação dos piquetes resultam em pastos passados, com maior teor de fibra e menor aproveitamento. “Manejo mais dinâmico significa melhor uso do pasto, menor desperdício e maior retorno produtivo”, destaca Mateus.
Sombra e água: ferramentas essenciais de manejo
Outro ponto crítico no pico do verão é a oferta de sombra. Árvores, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta ou sombrites artificiais contribuem de forma significativa para a redução da carga térmica sobre o rebanho.
Animais com acesso à sombra apresentam menor frequência respiratória, maior tempo de pastejo mesmo nos períodos mais quentes do dia e melhor desempenho produtivo. “A sombra não deve ser vista como um luxo, mas como uma ferramenta de manejo essencial”, reforça o zootecnista.
A água também assume papel central no controle do estresse térmico. Em condições de calor intenso, o consumo hídrico aumenta consideravelmente. Garantir água limpa, fresca, em quantidade suficiente e com bebedouros bem localizados é indispensável para preservar a saúde e o ganho de peso do rebanho.
Nutrição estratégica mantém o desempenho
Apesar do bom desenvolvimento das pastagens no verão, nem sempre elas suprem totalmente as exigências nutricionais dos animais. A suplementação mineral adequada, com atenção especial a macro e microminerais, é indispensável para manter o equilíbrio metabólico, fortalecer a imunidade e sustentar o desempenho produtivo.
Em muitos sistemas, a utilização de suplementos proteicos de verão contribui para melhorar a digestão da fibra do pasto, aumentando o consumo total e a eficiência alimentar.
Bem-estar e produtividade caminham juntos
O sucesso da pecuária no pico do verão depende da integração entre manejo eficiente das pastagens, oferta adequada de água e sombra, além da suplementação nutricional equilibrada. Essas práticas reduzem os impactos do estresse térmico, preservam o bem-estar animal e garantem melhores resultados produtivos mesmo nas condições mais desafiadoras do ano.
Assista ao vídeo completo com as orientações do Departamento Veterinário da Cocari, e saiba como aplicar essas estratégias na sua propriedade.


