O governo federal trabalha na definição de regras para obrigar os aeroportos brasileiros a adotarem sistemas antidrones. A tecnologia permite detectar e neutralizar equipamentos que invadam o espaço aéreo próximo às pistas, visando garantir a segurança das operações e evitar acidentes.
A iniciativa, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em conjunto com a Anac e o Decea, surge após uma escalada de incidentes. Apenas no aeroporto internacional de Guarulhos (SP), foram registradas 35 interrupções em 2025 e outras dez entre janeiro e fevereiro deste ano. Em um único dia de fevereiro, 32 voos foram cancelados e mais de 8.500 passageiros acabaram prejudicados devido à presença de drones não autorizados.
A nova exigência busca dar aos terminais a capacidade de responder às ocorrências em tempo real. Os sistemas antidrones funcionam em quatro etapas: detecção por radares e câmeras, identificação, avaliação de risco e ação de resposta. Essa última fase pode incluir o bloqueio de sinal para forçar o pouso ou o retorno automático do equipamento. Atualmente, o governo avalia os limites de atuação das empresas, bem como quem será responsável por custear e operar as tecnologias, com a possibilidade de a obrigação recair sobre as concessionárias.
Na quinta-feira (19), o MPor lançou uma consulta pública para coletar contribuições e formular diretrizes para o setor. Paralelamente, a Anac concluiu um relatório apontando a viabilidade da implantação do sistema em Guarulhos, após testes realizados com apoio da Polícia Federal e da Força Aérea Brasileira (FAB) durante grandes eventos, e estuda a expansão para outros aeroportos com a mesma necessidade.


