Deputados do Paraná acionam a ANTT contra suspensão da linha férrea entre Londrina e Ourinhos

Os deputados Luiz Cláudio Romanelli (PSD) e Tercílio Turini (PSD) assinam um requerimento protocolado nesta quarta-feira, 17, na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em que pedem explicações do órgão sobre a paralisação da linha férrea de 217 quilômetros entre Londrina e Ourinhos (SP), operada pela Rumo Logística.

“A concessionária (Rumo) alega que a falta de demanda comercial motivou a decisão, o que é um absurdo e um verdadeiro retrocesso”, avalia Romanelli. Os deputados também estão enviando ofícios à direção da Rumo, ao Ministério dos Transportes e ao Tribunal de Contas da União (TCU) questionando a suspensão da operação.

A ferrovia São Paulo-Paraná, afirma Romanelli, tem quase um século de história, um canal de transporte de cargas como combustíveis, fertilizantes e grãos dos mais diversos tipos. “A decisão é absurda pois o transporte ferroviário é o segundo modal mais barato do mundo. É viável financeiramente e o menos poluente. Além disso, a paralisação do trem carece de visão estratégica em relação à economia verde, a que mais cresce no mundo”, disse.

“Na Assembleia Legislativa não vamos ficar de braços cruzados. Vamos acionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres e tomar outras medidas para reverter a decisão. Foi muito triste poder assistir o povo procopense ver ontem em Cornélio pela última vez o trem passar. Isso faz parte do processo civilizatório da nossa região. Nós não vamos aceitar. A Rumo tem um contrato e ela tem que cumprir”, completou.

O ramal entre Londrina e Ourinhos, afirma Romanelli, tem uma participação direta no desenvolvimento do Norte Pioneiro. “Cornélio Procópio desenvolveu-se às margens do km 125 da ferrovia. A estação na cidade foi fundada em 1930. Antes de ser chamado de Cornélio Procópio, a vila era conhecida como KM 125”, disse.

Mobilização

O deputado Tercilio Turini considera um absurdo a decisão da empresa Rumo de desativar o ramal ferroviário entre Londrina e Ourinhos (SP) e suspender o transporte de cargas na Ferrovia São Paulo-Paraná. “É uma medida que vai na contramão de todo esforço para fortalecer o desenvolvimento do Norte e Norte Pioneiro. Estamos num momento em que os municípios batalham por mais infraestrutura e logística para atração de investimentos, indústrias e novos empreendimentos. Precisamos unir lideranças políticas e do setor produtivo, mobilizar a comunidade e buscar alternativas para reverter essa decisão”, afirma Turini.

Desmonte

O sindicato dos ferroviários afirma que a concessionária vem desativando trechos produtivos de diversas regiões do país, sucateando o modal, promovendo o comércio clandestino de trilhos e o desmonte do patrimônio público. O sindicato ainda acusa a Rumo de agir contra os interesses dos contratos de concessões, de não investir na manutenção e modernização dos trechos assumidos, o que resulta em tarifas elevadas que inviabilizam o transporte ferroviário.

A decisão da concessionária atenta ainda ao Novo PAC – programa de obras do governo federal – em que as ferrovias foram elencadas como prioridade com investimento previsto de R$ 94,2 bilhões até 2026. “Um meio de transporte que sai na frente quando o assunto é sustentabilidade, eficiência e segurança, e ainda carrega consigo o desenvolvimento socioeconômico por onde passa”, diz o governo federal que reitera que “o transporte ferroviário no Brasil foi negligenciado por décadas”.

No PAC, está a Nova Ferroeste que prevê a modernização da atual conexão entre Cascavel e Guarapuava, ligando Maracaju (MS) a Paranaguá, com ramais para Foz do Iguaçu e Chapecó (SC). O investimento previsto é de R$ 35,8 bilhões para a construção e compra de material rodante para os 1.567 quilômetros de trilhos da ferrovia.

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