Na última terça-feira (31), o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, anunciou oficialmente sua desfiliação do PSD para ingressar no Republicanos. A movimentação ocorre no limite da janela partidária, que se encerra nesta sexta-feira (03), e consolida a estratégia de Curi para viabilizar sua candidatura ao Palácio Iguaçu.
Em declaração a jornalistas, o deputado enfatizou que a troca de sigla foi articulada diretamente com o governador Ratinho Júnior nos últimos 30 dias. Segundo Curi, o objetivo não é um rompimento, mas o fortalecimento de uma coalizão partidária que garanta a continuidade do grupo político atual.
“A minha presença no Republicanos e o governador no PSD significa que vamos caminhar juntos para tentar buscar uma unidade até o período das convenções, em 5 de agosto”, afirmou o parlamentar.
O tabuleiro político e a sombra de Moro
A sucessão paranaense entrou em ebulição devido à impossibilidade de reeleição de Ratinho Júnior. Até o início de março, o PSD concentrava três nomes fortes: Guto Silva (secretário das Cidades), Rafael Greca (ex-prefeito de Curitiba) e o próprio Alexandre Curi. No entanto, a entrada de Sérgio Moro (PL) na disputa pelo governo alterou o cálculo do chefe do Executivo.
Para evitar a fragmentação e “blindar” o estado de uma polarização extrema, Ratinho Júnior desistiu de uma eventual candidatura à presidência para coordenar sua sucessão local. Nesse ínterim, Greca migrou para o MDB e, agora, Curi assume o protagonismo no Republicanos. A grande incógnita permanece sobre Guto Silva, visto que os bastidores indicam que ele pode não ser a escolha prioritária do PSD para encabeçar a chapa.
Unidade sem “desidratação” do PSD
Um ponto crucial da saída de Curi foi o compromisso de não esvaziar a bancada do antigo partido. O deputado revelou que cerca de 12 parlamentares manifestaram desejo de acompanhá-lo no Republicanos, mas foram orientados a permanecer no PSD por um acordo com o governador.
“Fiz um pedido aos deputados para mostrar essa unidade. Nenhum deputado do PSD deixará o partido comigo. Queremos manter a paz política e o bom ambiente construído nos últimos oito anos”, ressaltou Curi.
A busca pelo apoio
Apesar de se declarar pronto para o cargo, citando a experiência de seis mandatos e o conhecimento integral do território paranaense, Curi reconhece que a “bênção” de Ratinho Júnior é o fator determinante. Com uma aprovação que beira os 80%, o governador é hoje o maior cabo eleitoral do Estado.
O cenário desenhado é de uma “disputa assistida”: Curi, Greca e o nome indicado pelo PSD (Guto Silva ou outro correligionário) devem testar sua popularidade nas pesquisas nos próximos meses. Aquele que demonstrar maior competitividade para enfrentar e derrotar Sérgio Moro em um eventual segundo turno deve receber o apoio oficial da máquina estadual. A expectativa de Curi é que essa definição ocorra até, no máximo, o mês de junho.

